"Estrelas, estrelas, rezo.
A palavra estala entre meus dentes em estilhaços frágeis.
Por que não vem a chuva dentro de mim, eu quero ser estrela.
Purificai-me um pouco e terei a massa desses seres que se guardam atrás da chuva.
Neste momento, minha inspiração dói em todo meu corpo. Mais um instante e ela precisará ser mais do que uma inspiração.
E em vez dessa felicidade asfixiante, como um excesso de ar, sentirei nítida a impotência de ter mais do que uma inspiração, de ultrapassá-la, de possuir a própria coisa - e ser realmente uma estrela."
(Clarisse Lispector)
20.3.05
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