11.4.05

Ensaio de auto-ajuda urgente para escrever sobre cabras

Metalinguagem eu aprendi o que é devia ser sétima ou oitava série. E a tal da palavra que muita gente usa para enfeitar alguns textos me persegue bastante, até hoje. O legal do "meta" é que ele é como uma terapia, um divã de análise ou uma palavra de auto-ajuda. Ela tem o mesmo efeito do que essas coisas todas que fazem um neurótico finalmente tomar consciência de que é um neurótico e etc.
Deve ser por isso que tanta gente faz filmes que falem sobre cinema, como Janela Indiscreta e tantos outros, compõe músicas que fale de música ou escreve um texto que fale sobre o próprio texto.
E por mais que ninguém se interesse por isso, essa é a minha justificativa para posts como este, cujo "lead" começa agora: definitivamente, ainda não aprendi a me desvencilhar de mim mesma para escrever. Não consigo escrever sobre coisas que não me toquem de alguma forma, ou que não tenham um "tempero" de mim mesma - um lugar, um sonho, uma coisa escondida qualquer. Tudo que me inspira é de um egoísmo auto-biográfico absurdo, acabei de perceber.
Eu queria ser como Rubem Fonseca, que me surpreende com personagens dos mais variados: fortões de academia, prostitutas do Rio, gordas donas de pensões sujas, madames ninfomaníacas, videntes, velhos que têm filhas lésbicas, velhos que têm filhos doutores, matadores de aluguel, gordos políticos que cheiram cocaína, mulheres que fazem loucuras por um homem e até um cara que conseguia ler o futuro nos desenhos formados pelos seus próprios cocôs. O melhor de todos foi um tipo NORMAL, magro, sem graça, cuidador de um casal de velhinhos que se apaixonou por uma boneca inflável e, por isso, parou de comer cabras e outros bichos. Imagine se Rubem Fonseca tivesse de tudo isso um pouco, que loucura. Invejo-o por saber desvencilhar-se de si mesmo. É um cara altruísta e doador.

1 comentários:

POEMIA disse...

Sabe que eu me sinto exatamente assim? Será que, para escrever coisas de além-mim, terei que desenvolver aí umas... 237 persnoalidades imprópias?

Que canseira...