26.9.05

Ainda bem que tenho pessoas que escrevem por mim quando não posso / não quero / não consigo escrever / dizer / expressar. Neruda.

PS: Isso é uma quase cópia do Roger, que me fez lembrar que gosto de Neruda. =)

"Amo el amor de los marineros
que besan y se van.

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.
En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.
Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.
Amo el amor que se reparte
en besos, leche y pan.
Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.
Amor que quiere libertarse
para volver amar.
Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va."

22.9.05

Hm.

Lass die Finger von Emanuela
Lass die Finger von Emanuela

Um monte de músicas na cabeça! Um monte de vontade de não pensar em nada, conforme sugeriu minha terapeuta (!!!). Exclamações, porque ultimamente tenho quebrado um milhão de preconceitos e padrões que normalmente eram muito confortáveis para minha mente virginiana. Agora tudo está num stand by meio maluco e, sinceramente, preguiçoso (tipo assim, deixe estar).
Sentindo-me burra, burra, adolescente, perdida, mas bem. Ainda sem saber o que é certo e o que é certo; um dia as respostas vêm em sonhos ou em papos filosóficos de boteco.

14.9.05

Mar Adentro

"Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.
Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo ya no es mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:
El abrazo más puerily
el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un unico deseo:
Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos."

Ramón Sampedro
*

Esta poesia encerra um dos filmes mais maravilhosos que já vi na vida. E não posso lê-la sem sentir um aperto aqui dentro. E não posso comentar este filme, porque não o compreendo na sua plenitude: nunca vi a morte tão de perto. É uma experiência, mesmo que virtual... e mais tocante e mais profunda do que muitas relações, histórias, vivências reais.
Ainda tem a questão: pode alguém se apaixonar por um tetraplégico? Pode um amor ser tão espiritual? Pode, porque também não achava que era possível se apaixonar pelos filmes.

4.9.05

Ah, observações importantes.
1) Ainda não resolvi o que fazer com a menina paulista do clube... queria muito que ela fosse dançar com o loiro arrogante e etc., mas sinceramente, meus personagens, coitados, estão sem destino ainda.

2) Todos os anos, páro para pensar no meu inferno astral... neste blog já consta o inferno astral de 2004, que foi bem maluco. Mas novamente, este ano, quando eu achava que as coisas já estavam indo calmas demais, ele veio, implacável. Chamando-me à força para tudo que eu deveria ter aprendido em um ano e não aprendi; brutal. Li, esta semana, em um livro de astrologia: "Nunca fique inconsciente. Quando se está inconsciente, não há crescimento. Não se deixe simplesmente levar pela maré dos fatos, ou eles sempre se repetirão numa onda cada vez maior até você se aperceber do que precisa ser mudado". O inferno astral é perfeito para as maiores ondas devastadoras (bem, elas têm ocorrido em muitas partes do mundo...) e é bom que paremos para pensar.

Sobre mochilas e lágrimas

Gosto desta coisa de ser mulher, sabe.
De me dar o luxo de mudar tudo quando quiser e utilizar uma justificativa biológica.
De conseguir chorar facilmente e, sendo isso moralmente cínico ou não, fazer uso da minha aparente fragilidade para apaziguar diferenças ou conseguir pequenas vitórias.
De sonhar sacanagens e acordar molhada sem ninguém saber.
De - infelizmente, isto ainda sendo um trunfo - impressionar alguns homens não apenas fisicamente, mas intelectualmente, e eles acharem isso tudo o máximo.
De sorrir intimamente quando eles se mostram cachorrinhos meigos arrependidos de terem sido brutos ou qualquer coisa do tipo, após uma represália feminina muito magoada e delicada.
De poder pensar em outras mulheres de vez em quando, e isso parecer charmoso e moderninho em vez de despertar revolta nos outros.
É bom ser mulher e estar sempre grávida de alguma coisa, mente sempre inquieta, angústias justificadas pela lua do dia. E então "parir um terremoto".

*

Mas mais legal ainda foi me fazer de aventureira, andando por horas em trilhas que levavam a praias maravilhosas e ter a mochila carregada por, é claro, um homem. rs.