Meu pai está maluco pela Bruna Surfistinha. Recentemente, ele veio me perguntar porquê eu não faço o mesmo que ela (viro puta? não, publico um livro inspirado num blog).
Nem respondi, tenho uma certa preguiça mental de elaborar respostas demasiado longas quando já tenho certeza do que penso. Eu sei que isso é nojento.
De qualquer maneira, gosto do blog dela e confesso que fiquei triste quando ela deixou de ser garota de programa e parou de escrever aquelas sacanagens. Mas fico pensando - eu sei que, muito pretensiosamente - se "O Doce Veneno do Escorpião" é assim realmente uma obra da qual se orgulhar.
Não li nem crítica e nem sequer a orelha do livro, só sei que tem 168 páginas, está na terceira edição e pode ser comprado no Submarino a R$16,80. Bom, muito bom, gosto de livros acessíveis a bolsos como o meu. Sei também que é um "relato sincero sobre a vida e trabalho da autora, incluindo dicas para as mulheres levarem um relacionamento adiante".
Enfim, por ser esse todo o meu conhecimento da obra de Bruna Surfistinha, além de seu blog que eu já li inteiro, sei que é pretensão pura comentar isto, mas não deve ser melhor do que "Cem Escovadas Antes de ir para Cama", daquela italianinha depravada - Melissa Panarello (cuja cena ápice ocorre com seis homens esporrando ao mesmo tempo na cara dela).
Ambos discorrem relatos e mais relatos de tudo aquilo que a gente, no fundo, já sabe (variando as posições, tamanhos e acessórios). Além do mais, a revista Nova, todos os meses, por R$9,00 na banca (se não aumentou...), também ensina como segurar um homem em 20 dicas quentíssimas.
*
Fico também imaginando (falta de assunto para ocupar a cabeça) quem compra os livros da Surfistinha e da italiana safada. Se eu já não tivesse passado dos 20, com certeza compraria (eu me conheço muito bem). Mas quando eu tinha 14 anos, meu livro preferido era "O Diário de Susie". E me lembro perfeitamente da cena mais picante: acontece quando Susie dá um rápido amasso em um carinha, na casa onde trabalhava como baby-sitter (tipo beijo na boca e mão na bunda). Li e reli essa cena não sei quantas vezes, sempre para recordar a emoção da primeira vez. E este foi um BOM livro.
9.12.05
Conselho
"(...) Sua amável carta (...) não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem - usando da licença que me deu de aconselhá-lo -, peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. (...) Procure entrar em si mesmo, investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto, acima de tudo, pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite: 'sou mesmo forçado a escrever?'. Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples 'sou', então construa a sua vida de acordo com essa necessidade".
Trecho de "Cartas a um jovem poeta" - Rainer Maria Rilke. Essa é uma parte da primeira carta que Rilke responde ao então jovem escritor Franz Xavier Kappus.
*
A gente tenta escrever bonito, pros outros verem. Muita gente no mundo já falou de sentimentos nobres, temas sublimes, amores eternos - e foi bonito, publicado, aplaudido. Só que você tem que ser muito bom para falar destes mesmos temas de novo. Por isso talvez seja melhor olhar para dentro um pouco, e em volta, para escrever. Deve haver alguma beleza no dia-a-dia ordinário. Estou tentando achar, sabe, o que me inspira. Amor inspira, mas me sinto tão repetitiva por causa dele. Por enquanto só sei que, àquela pergunta de Rilke, respondo: "sou".
Trecho de "Cartas a um jovem poeta" - Rainer Maria Rilke. Essa é uma parte da primeira carta que Rilke responde ao então jovem escritor Franz Xavier Kappus.
*
A gente tenta escrever bonito, pros outros verem. Muita gente no mundo já falou de sentimentos nobres, temas sublimes, amores eternos - e foi bonito, publicado, aplaudido. Só que você tem que ser muito bom para falar destes mesmos temas de novo. Por isso talvez seja melhor olhar para dentro um pouco, e em volta, para escrever. Deve haver alguma beleza no dia-a-dia ordinário. Estou tentando achar, sabe, o que me inspira. Amor inspira, mas me sinto tão repetitiva por causa dele. Por enquanto só sei que, àquela pergunta de Rilke, respondo: "sou".
Assinar:
Postagens (Atom)