Os amores pós-modernos de novo. Uma loucura de vida, faculdade-casa-trabalho-casa-balada-faculdade. Cansa e a deixa pensando só-e-somente-só no próprio umbigo, o que ela não acha muito politicamente correto.
Às vezes, está pensando na Luísa obstinadamente e tenta se policiar: preciso pensar nos problemas do mundo. Por quê não faço um trabalho voluntário qualquer? Não dá tempo. Então pensa na Luísa, no João, no Fábio, no Saulo, na Tati.
Queria conhecer a tal da Tati, porque às vezes entra com um perfil falso no Orkut dela e fica tentando imaginar como é essa garota. "Por quê ela é melhor que eu".
Tati: parece ser ingênua, usa quilos de maquiagem, suas fotos todas com maquiagem meio borrada parecendo ressaca. Talvez seja fútil porque usa expressões teenagers no Orkut. Diz que ama seu ex sendo que o conhece há menos de um mês. Talvez seja adolescente demais pra saber o que é amor. "Tomara que se mostre uma chata com o tempo e ele se canse dela". Ou então: "Eu já sabia que isso ia acontecer. Sonhei a história toda meses antes, mas achei que fosse neurose da minha cabeça", ela diz. Deve ser porque a vontade desesperada de amar falava mais alto e loucamente do que os sussurros fracos de sua intuição.
Daí pensa na Luísa de novo (nos intervalos entre João, Fábio, Saulo, seres do sexo masculino que a perturbam noite e dia). Noite passada, diz que sonhou com ela e que estavam amigas. Luísa: Não tem perfil no Orkut, então é mais difícil imaginar. Namora há seis anos, Saulo ("que ódio"), que foi seu primeiro namorado ("inexperiente"). Faculdade de administração ("sem graça"). Mas pensa que Luísa deve ser feliz, estilo dona-de-casa com tudo perfeitinho. Deve ser feliz, achou aquele homem. Paciência.
E a Ciranda de Pedra rolando em sua mente - atrapalha a concetração de tudo. Se seu professor de desenho técnico soubesse, seria mais complacente com os milímetros de cálculos errados.
19.5.06
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário