O assunto desta semana é o Peru. Perú "con tilde" é só no Peru mesmo, segundo a Wikipedia, "espanholização" da grafia absolutamente desnecessária no Brasil.
Então, às vezes estou entrevistando umas pessoas e morro de vontade de dar minha opinião sobre aquele assunto para elas também, de trocar. Mas minha posição de entrevistadora obviamente não permite, e o tempo é escasso, e o foco é outro.
Pensei em juntar uns cacos destas conversas que acabam ficando na gaveta. Converso com muitos estrangeiros e alguns até se interessam pelas coisas do Brasil. Um ex-namorado um dia falou uma das poucas frases que memorizei na vida: the world is way smaller than we think.
Demorei uns meses para entender, mas é incrível conversar com gente que vive no Peru (sem acento), na Colômbia, no gigante EUA, no Irã, e perceber até mesmo uma certa familiaridade de pensamentos, pontos de vista. Descrença em alguns aspectos, esperança em outros.
Ontem senti pena dos peruanos e me deu vontade de alertar: olha, não vai adiantar nada, no Brasil aconteceu a mesma coisa e vocês não sabem. O sistema, a cultura, a história, essas eleições não vão adiantar nada.
Os peruanos vão às urnas no domingo e a maioria dos votos deve ir para o candidato social-democrata Alan García. Os jornalistas e a classe média peruana vai votar no García como a gente votou no Lula e em tantos outros pensando: "dos males, o menor".
Um pouco absurdo votar assim, mas na América Latina é o que dá pra fazer. García matou 60 mil pessoas nos anos 80, levou o país à falência, inflacionou o mercado a 3.000% e é o menor dos males.
Seu oponente, Ollanta Humala assusta a "burguesia" peruana, por sua proximidade de ideais a Chávez e ao indígena da Bolívia. Seu maior ídolo é um dos tantos ditadores que o país teve no poder.
Então ontem o professor falou: "vamos a votar en García tapando la nariz". A colônia tem raízes tão profundas que 16 milhões de eleitores no Peru vão acabar fazendo isto mesmo, e eu talvez o fizesse, como já o fiz aqui. Contive meus comentários.
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1 comentários:
Nossa, que garota politizada...
Adorei o post, muito, mas muito legal mesmo. Fiquei imaginando você (que quase não gosta de falar), tendo que ficar quieta. E o pior é que não é só no Perú(u) que a coisa tá preta, aqui nosso paz e amor segue firme e forte pra faturar no primeiro turno.
Quanto ao tamanho do mundo, eu tenho uma amiga minha que deu uma definição que eu acho bem mais legal: "O tamanho do mundo é inversamente proporcional ao tamanho da nossa conta bancária".
Beijo
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